O grande problema dela era pensar demasiado naquilo que os outros pensam. Mas, se por um instante que seja, ela queira pensar por ela própria está a ser egoísta. Egoísta. Egoísta... Toda a vida ouviu isso. Ela é egoísta. MAS QUEM O NÃO É? QUEM?
Se toma uma decisão diferente das outras pessoas, passa a ser uma estranha. Se passa a gostar de outras coisas que os outros não gostam, é estranha. É estranha porque consegue ver o bem que existe no mal. É estranha porque vê o que os outros não querem ver.
Ela está tão farta. Tão cansada. Tão sem forças que está doente à semanas.
Ela precisa de ser forte. Ela precisa de se fazer Mulher. Precisa ignorar quem insiste em lhe dizer que está errada e que tudo o que sabe fazer é merda. Ela precisa ignorar quem lhe diz que é orgulhosa. Ela sabe disso. Tanto que não sabe como lidar com metade das situações que lhe aparecem todos os dias.
Ela estava a precisar deste momento. Para pensar. Para respirar. Para voltar a ela própria.
Está tão farta de ter que escolher os amigos, pois pelos vistos não se pode dar com toda a gente, está mais do que visto. Não pode. Porquê? Porque nunca vai haver confiança. Nem de um lado, nem do outro. Apenas porque, indirectamente, a fazem escolher.
Mas ela é uma sobrevivente. Ela irá ultrapassar isto e renascer. Só precisa do momento ideal. De uma nova etapa. Essa etapa ainda está longe. Ou perto. Dependendo das perspectivas...
Ela tem de começar a agir irracionalmente. Enquanto ainda o pode fazer. Enquanto ainda é jovem. Enquanto ainda é criança.